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20 de outubro de 2009

EU TE MAAAAAATO…

pequenasinfracoes

O que leva uma pessoa a sentir ira?
Deixar de ir pra balada para sentir cólica renal é uma das coisas que enfurecem as pessoas! Eu planejei a festa do final de semana pelo menos com um mês de antecedência, comprei roupa… Desmarquei o que pudesse aparecer para atrapalhar. Afinal eu sou showmaniaca…
“A ira é uma explosão forte de um sentimento ruim, proveniente de uma contrariedade, de uma desilusão, de um acontecimento inesperado e ruim, de uma inconformidade ou de uma culpa. Essa explosão, quando ocorre, faz o indivíduo perder a noção de seus atos, fazendo-o agir irracionalmente”. Ou simplesmente quando acontece tudo isso junto de uma vez só.
Você vai entender o real significado da ira um dia…

Porque o que faz com que uma pedra lazarenta saia do seu rim as 06h45min da manhã enquanto você dorme e te cause uma dor semelhante a dor do parto? O que “fuck” eu fiz dessa vez? Sério eu chorei porque não iria mais a festa… Mas eu chorei já era umas 10 da manhã, porque antes disso a minha única vontade era dizer: FILHA DUMA ÉGUA DUMA PEDRA…

Depois de uns 3 litros de remédio, já meio variando, fui bater um papo com a enfermeira que me atendeu e ridiculamente dopada (sério que deveriam vender aqueles remédios nas festas, o efeito é muito rápido) falei que queria muito ir ao show, que fazia tempo que estava esperando…
- ahhhhh, eu também vou! Vou sair daqui e comprar meu ingresso! (eufórica)
- ahh, legal. (claramente enfurecida)
- nossa, muito legal, todo mundo que eu conheço disse que vai! (mega eufórica)
- aham, legal! (desejando pelo amor de Deus que a dor parasse para que eu pudesse dar um soco na cara dela)
- Eu vou comprar uma blusinha nova só pra ir! (mega eufórica e cantarolando)
-… (morri) ¬¬
Fiquei quieta depois dessa conversa, resolvi que era melhor dormir ou ficar olhando a acompanhante do paciente da cama da frente (e cara, como ela era feia).
Depois de uma sexta dessa, decidi apagar da minha lembrança que tinha show… E fui viver a vida normalmente. Acordando as 2 da manhã e as 7 para tomar os remédios, passando o dia de repouso, tomando água e “mijando” muito.
Para esquecer completamente o ocorrido resolvi no sábado do show dar uma volta pela cidade, comer alguma coisa… A primeira esquina que eu virei encontrei 3 ônibus… Um de cada banda que estaria no show! A minha única reação foi pensar:
- Que bom tá chovendo! Que morram todos vocês seus egoístas que não pensam nas pessoas que gostariam de ir ao show, pois estão com pedra nos rins.
Fui para casa, coloquei meu pijama, tomei um remédio fora do horário (eu comprei uma cartela a mais para os dias de insônia… RÁ) e dormi.
Para ajudar tive que fazer uma tomografia computadorizada. Palavras do médico:
- Tem cara de leão, jeito de leão, mas não dá pra ver se é leão… Vamos fazer uma T.C para ter certeza.
Juro que nessa parte eu não sabia se era real ou se eu tava chapada do remédio ainda.

Se você acha que foi legal até agora, espera até a tomografia… fui fazer o exame, tinham dois homens na fila… A mulher me entregou um avental e falou:

- Tira a roupa e coloca o chinelo.
O que era uma havaiana 42 azul.
Muito a vontade, nua de avental e havaiana 42 azul me sentei entre os dois homens, que acredito eu, também estavam nus, e esperei a enfermeira me chamar para a injeção. LÓGICO… Porque nenhum medico lazarento indica um exame que não tenha uma injeção.
- Não olha que a agulha é bem grossa.
LÓGICO, porque não tem nenhuma enfermeira lazarenta que não tenha orgulho de falar o tamanho da agulha que ela tá aplicando.
Eu me mantive estática por pelo menos 2 horas, sem mexer o braço que a moça disse que poderia mexer sem problema algum. Já que não tinha agulha, só um silicone, maldito silicone.
Quando eu levantei, bati um papo com o senhor nu no corredor, um papo super normal! Papo do tipo:
- Nossa eu acho super normal a tomografia computadorizada a ressonância magnética que é ruim.
Eu vi a sala escurecer e pensei “cara, você ta nu, não dirija a palavra a minha pessoa”. Mas não adiantou.
O engraçado é que eu acho tão lindo o trabalho dos enfermeiros, médicos, mas quando eu preciso deles eu fico tão enraivecida, eu sinto tanto ódio deles. Aquelas caras alegres, dizendo que tá tudo bem e você querendo morrer. Passando mal. Aquelas mãos geladas apertando os locais exatos das dores, proporcionando mais dor… Tá tudo bem o c@3*lho.
Já no exame, ela aplica o contraste e diz bem simpática:
- Você vai sentir um calorzinho agora ta.
Tipo assim… Calorzinho? Eu achei que meus olhos iam explodir, minhas orelhas iam queimar no fogo do inferno. Eu senti aquela coisa quente passando pelo meu corpo (e eu juro que isso não é o início de um livro pornô), mas eu pensei, vou curtir o barato, to aqui mesmo, não tem como fugir… Estou pelada, numa sala vazia, fria, com uma máquina enorme me puxando e me empurrando, e falando coisas roboticamente. No auge do exame eu vi uma parte preta da máquina que era “furta cor” e as coisas se mexiam… Muito bacana… Recomendo! Eu me lembrei do meu médico, há 13 anos atrás, quando fiz a cirurgia do apêndice que cantou para mim chegando de um show:
-Gosto muito de te ver leãozinho.
Do Caetano Veloso, é bem estilo de show que médico vai. E eu com um dreno, chorando de dor. Nunca mais me consultei com ele, mas eu acho que ele estava tentando ser simpático.

Juro que eu ainda estou em dúvida quanto à veracidade dos fatos.

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