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10 de dezembro de 2009

Ah, se eu Fosse Jogador…

colunistadequinta

Fim do Campeonato Brasileiro 2009, Flamengo campeão! Os meios de comunicação em geral deram um show de cobertura sem deixar passar qualquer detalhe. Aí é que entra o exagero, na maioria das vezes, por parte dos repórteres. Será que faz tanta diferença pra quem está assistindo ouvir as partes envolvidas respondendo aquilo que está na cara? Bom, se pra mim fizesse sentido sinceramente meu tema seria outro.
Fim de jogo no Maracanã neste último dia 5, jogadores e comissão técnica do rubro negro carioca saltitando como quem está com as vestes em chamas. Algo parecido com que se vê quando seu tio ganha de você no vídeo game: euforia total! Eis que do meio dessa alegria toda surge aquele responsável por trazer-nos a informação. Investigador, quase detetive. O incansável repórter! No meio de tanto pula pula ele saca de seu infalível e inseparável microfone e solta a pergunta que (nem) todos querem saber: “Feliz com o titulo?”.


Ah se eu fosse jogador. Responderia na lata. “Claro que não, estou péssimo. Fizemos de tudo pra perder o campeonato, mas por mais que tentássemos a bola sempre entrava no gol do adversário. E algo inexplicável, mas que devemos aprender a conviver. 2010 vem logo mais e trabalharemos pra ser rebaixados.”. Seria mais produtivo ele perguntar o que eles comeram no almoço, ou onde estão pensando em passar o natal. Poderia ate perguntar se ele gostava do Lombardi. Mas não. “Aquele cara esta sorrindo, vou perguntar se ele esta feliz!”
Insisto, ah se eu fosse jogador.
Passados alguns minutos vem ao ar a cena da verdadeira batalha em campo entre Coritiba e Fluminense. Batalha durante e depois do jogo. O que interessava pra qualquer um ali dentro era bater. Não importava em que parte do corpo ou em quem batia. Valia jogar qualquer tranqueira. Cadeira, celular, chinelo, (já me veio na cabeça o tiozinho no meio da confusão: “Chinelo, cadê o chinelo?”. Pronto, passou!) dentadura, sogra, enfim. Se você jogar alguma coisa apanha, e se não jogar apanha mais ainda porque a regra era essa. Jogue alguma coisa senão jogamos você. No meio do tumulto um policial caído. Coube ali a sabia observação do atento narrador: “Aquele policial provavelmente foi atingido por um objeto”. Gente, para com isso. O policial ficou ali, 90 minutos (fora acréscimos) naquela tensão toda, em pé, sem poder demonstrar qualquer emoção ou indignação com o que estava vendo no jogo, chega uma hora que não aguenta. Sem pestanejar deitou no chão e pediu pra que seus colegas o carregassem. Só não deu mais certo porque tropeçaram e derrubaram o coitado no chão (com licença, hahahahaha). Se não fosse o provavelmente logo acima juro que não comentaria (hehehe).
Pois bem. Vamos dar um desconto. Imagina o chefe desses bravos investigadores do cotidiano ordenando insistentemente pra que eles façam alguma pergunta. Pra quem acompanhou o Profissão Repórter de ontem pode ter uma idéia. O coitado se escondeu da briga no Couto Pereira, cobriu tudo de longe e levou uma bronca (de leve) do Caco Barcelos. Pode ser daí que sai tanta pergunta sem necessidade. Mas repito. Ah se eu fosse jogador. Deve ser por isso que @OCriador não me fez assim. Não por falta de talento como boleiro, e claro que não.
Fim de jogo! Fim de campeonato! Alguns dias para que os repórteres renovem seus questionários. Ouvi dizer que perguntas novas virão por ai. “O time vai jogar pra ganhar?” é uma delas. O resto é surpresa. Aguardem!
Campeonatinho mais sem graça esse. Não vi nada de emocionante. Seria bem melhor se o Corinthians fosse o campeão.

Texto de: Thiago Lourin
Estudante de Ciência da Computação, mas não é nerd e não atualiza o orkut. Uma grande pessoa, principalmente na altura, que não é nada apropriada para o funk, por esse motivo ele não gosta deste estilo de música e talvez um pouco pela timidez. Ele odeia sócio e adora dias nublados e chuvosos. Seu grande sonho é se enterrar com a cabeça para fora da neve e ficar perto do seu labrador, mas ele ainda precisa comprar o cão. Sua maior qualidade é ser Corinthiano. Com o humor um pouco ácido contagia seus textos de um digno colunista de quinta. Por Cintia

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